Vou e volto. Vou e volto. Tédio me encobre. Que saudades do começo.
Saudades dos seus olhos. Saudades da sua boca.
Vontade de ter suas mãos em mim.
Que faço com tudo isto que explode dentro de mim?
Você não me diz que sim nem que não e me deixa na solidão.
Que faço amor?
Ah...eu sei, disse que queria ser sua amiga. Como?
Não vou conseguir ser só isto?
Que feitiço foi este que você colocou em mim?
Me invade, toma conta da minha alma.
Me deixa prostrada no chão.
Olhando o relógio, esperando um afago seu
Não! Basta!
Eu disse nada de migalhas!
Meu coração é tolo. Ele não escuta o que a mente diz.
Já era assim.
Me perdi em você.
Tudo acabaria se você me desse uma simples resposta.
Sim ou não.
Amo ou não.
Quero ou não.
Desejo ou não.
sábado, 11 de agosto de 2012
Verdades ou meias verdades
Depois de umas recentes experiências encontrei este texto do querido Carpinejar.
Aqui ele diz tudo o que eu penso sobre a ausência na resposta. Eu que em geral sou uma pessoa que quero definições, volta e meia encontro homens assim, medrosos. Conquistam e depois ficam com medo de jogar limpo e dizer que não querem mais. Como crianças mimadas que são. Sem nenhuma convicção daquilo que pregam. Agem com tamanha infantilidade e não terminam o que começam.
Triste. Vão. Peço a deus que, por favor, não me coloque, ou melhor, não me deixe que eu me coloque em uma posição dessas de novo em que eu tenha que decidir abandonar e não ter a resposta que quero ter. De não ter o gosto de falar umas boas verdades, ou meia verdades, ou reflexos do que sinto. Em mim fica o gosto amargo de mais uma derrota. Acho que fui eu que provoquei por ter me dado de novo sem calcular o tombo.
Amor no colo
A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda.
Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo.
Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida.
Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços.
Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo.
Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia.
Haverá uma estranha compaixão pelo passado, a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?"
Haverá a indignação como última esperança.
Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar.
Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher, não para se distanciar dela.
Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar.
Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros.
Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas.
Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças. Guardam a risada histérica para o domingo longe dali.
Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas. Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado, ouvindo o que não se quer escutar. Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava. Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto.
Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo.
Deveriam olhar fora de si. Observar, por exemplo, a dor de uma mãe que perde seu filho no parto.
O médico colocará o filho morto no colo materno. É cruel e - ao mesmo tempo - necessário. Para que compreenda que ele morreu. Para que ela o veja e desista de procurá-lo. Para que ela perceba que os nove meses não foram invenção, que a gestação não foi loucura. Que o pequeno realmente existiu, que as contrações realmente existiram, que ela tentou trazê-lo à tona. Que possa se afastar da promessa de uma vida, imaginar seu cheiro e batizar seu rosto por um instante.
Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.
Fabrício Carpinejar
Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo.
Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida.
Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços.
Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo.
Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia.
Haverá uma estranha compaixão pelo passado, a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?"
Haverá a indignação como última esperança.
Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar.
Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher, não para se distanciar dela.
Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar.
Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros.
Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas.
Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças. Guardam a risada histérica para o domingo longe dali.
Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas. Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado, ouvindo o que não se quer escutar. Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava. Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto.
Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo.
Deveriam olhar fora de si. Observar, por exemplo, a dor de uma mãe que perde seu filho no parto.
O médico colocará o filho morto no colo materno. É cruel e - ao mesmo tempo - necessário. Para que compreenda que ele morreu. Para que ela o veja e desista de procurá-lo. Para que ela perceba que os nove meses não foram invenção, que a gestação não foi loucura. Que o pequeno realmente existiu, que as contrações realmente existiram, que ela tentou trazê-lo à tona. Que possa se afastar da promessa de uma vida, imaginar seu cheiro e batizar seu rosto por um instante.
Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Ausência por Vinicius de Moraes
Começarei por colocar um poema do poeta que sempre amei. Independente do tempo ele me pertence. Suas palavras foram escritas para mim. Tomei posse de sua existência. Por muitos anos da minha adolescência imaginava poder encontrar Vinicius e quem sabe, ah, quem sabe, inspirá-lo a compor alguns versos de amor. O destino não quis que isto acontecesse porque o tirou de mim bem antes de eu estar adolescente. Quando o conheci em livro tinha um pouco mais de 8 anos. Vão me questionar como uma criança haveria de se apaixonar assim? Pois bem, sempre amei as palavras. Existe algo dentro delas que me transborda e me faz ser além de um ser humano romântico. As palavras, o dom de falar, escrever, expressar sentimentos e emoções que acontecem dentro de nós é divino. Isto sempre me tocou e me moveu. Se algumas vezes me apaixonei, não foi pelo objeto e sim pelas palavras pronunciadas, escritas, sussurradas e algumas no momento de paixão, gritadas. Sei, devemos não somente acreditar no que nos dizem mas, no que fazem, por isto creio que algumas vezes me quebrei. Agora refeita de tantas quedas posso continuar apreciando as palavras mais moderadamente e cuidar para que aquilo que escuto esteja também sendo praticado. Afinal quem só de palavras são os livros nós, seres humanos, vivemos não só delas mas, de atitudes.
Enfim, agora deixo o poema lindo deste homem que não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente mas, que mora em mim em vários lampejos da vida.
Delicie-se
Enfim, agora deixo o poema lindo deste homem que não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente mas, que mora em mim em vários lampejos da vida.
Delicie-se
Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinicius de Moraes
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